sábado, 2 de setembro de 2017

Nas aulas de BodyPump


     Academia nova. Vida nova. Agora o treino ficou para o início da manhã. Aula das 7h30. Entre as alternativas de ginástica, tem as aulas do programa BodyPump. Trata-se de um conjunto de exercícios bem localizados que trabalham muito – preciso reforçar: muito mesmo - pernas, glúteos e braços. Tem tudo o que uma aula funcional tem, mas feito com barras, anilhas e em câmera lenta.


     A ideia é deixar o praticante bem delineado. Até aí, tudo certo. Agora imagina isso aplicado à gorda. Tem muito o quê fazer para delinear. Puxa barra, levanta peso, paga apoio. Resultado?  Uma baita dor nas banhas. Aliás, descobri partes do corpo que achei que nem tinha. Descobri que gordo tem pescoço e sovaco!
     Comecemos a análise do assunto pelo pescoço. Depois de uma semana de aulas, mexendo muito pernas, braços e abdômen (olha ela! Abdômen!) o que doía em qualquer movimento era o pescoço. É uma coisa impressionante a capacidade do gordo de doer pescoço. Você faz abdominal esperando sair dali com barriga tanquinho e tudo o que consegue é dor naqueles músculos mínimos laterais entre a cabeça e os ombros. A cada olhadinha para o lado, um “ai”. É o que chamo de memória de academia. Faz meia hora de atividade, mas lembra o dia todo! Poderão dizer que o movimento do exercício está errado, que faltou respiração. Pode até ser, mas acredito que é um caso de “poder gordífico” de descobrir corpo no corpo. Quanto mais mexe no corpo, mais corpo você descobre!

     Agora é a vez do sovaco. Eu que achava que a existência dessa curva em baixo do braço era só para suar e cheirar mal. Nada! Descubro que esse espaço também dói muito. Barra para cima, barra para baixo. Inclina e puxa em séries que se repetem bem “de-va-ga-ri-nho”... Agora, coluna reta, barra na cintura. Com um golpe de pernas, levanta a barra acima da cabeça com os pulsos que giram. Novo golpe de pernas, pulsos retomam posição original inversa e sustentam a barra que volta à cintura. Assim sucessivamente por algumas séries. Tudo em slow. Agachamento com barra. Agachamento sem barra. Bracinho com peso. Bracinho sem peso. Para cima. Para baixo. Ufa! Estou cansada só de lembrar. 



Aula termina e a gente vai embora trumbicando nas próprias pernas. Tudo molinho. O medo é a lei da física, mais especificamente a primeira lei de Newton que trata da inércia e diz que a tendência dos corpos é permanecer em repouso ou movimento contínuo quando nenhuma força é exercida sobre eles. Trocando em miúdos, quero dizer: o meu medo é trumbicar tanto nas pernas e não encontrar uma parede, mureta ou alma bondosa capaz de parar a ida para os lados que a falta de força muscular impões às minhas perninhas cansadas depois do pump. Entende?


     Passei a semana com dores generalizadas em pernas, barriga, bunda, tornozelos, braços, mas o que pegou mesmo foi o pescoço e sovaco em uma combinação conjugada, já que ao virar o pescoço e tentar pegar algo, o movimento muscular exige força desse conjunto formado por cabeça e tronco superior. Ai meu sovaquinho!

     Entre idas e vindas da academia nessa semana, trumbicando nas pernas e doendo partes que eu nem sabia que tinha, a parte boa é que no trajeto de casa até o local dos treinos – coisa de duas quadras e meia, tem três lanchonetes. Aquele cheirinho de café e pastel é algo divino. 


     

     Na volta, cansada e tremilicando, é um total desafio driblar a vontade de parar e enfiar a cara, o pé, o sovaco num café preto passado na hora com um pastel frito de carne e queijo ou um sanduíche de salame colonial! Jesus, que pecado! E a publicidade da lancheria? É algo fenomenal... Numa delas tem um quadro fixado com cavalete no meio da calçada que apela e entra fundo na mente de gordo. Usa palavras como “Vários lanches a R$1,00”. Isso é o top do marketing eficiente para gordinhos. Começa que a gente enxerga primeiro a palavra LANCHE. Depois o cérebro processa na sequência, a palavra VÁRIOS  e por fim, o toque final para arrematar: R$ 1 real! Sério? Como resistir?????

P.S. Só para registrar. Eu resisti.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Uma gorda em nova academia

   Mudei o local do treino. Cansei de fazer musculação. Queria mais aulas de ginástica, movimento, novidade, música para impulsionar... Fiquei uns 15 dias procurando o lugar ideal. Tá. Confesso. Fiquei 15 dias enrolando e brigando com o emocional para me convencer de que academia é um mal necessário e não dá para desistir. Te digo Jesus! Esse período é muito crítico. É uma briga consigo mesmo. Fui lá, dei um tranque em mim mesma e no impulso fui me inscrever na Vivará. O nome é sugestivo: mesmo que tudo conspire ao contrário, você “vivarás” hahahah.
Olha o que um gordo sofre para entrar na academia. Parece que cada inscrição é um retomar dos mesmos conflitos.
Cheguei no dia para a inscrição – cheia de gasolina. 

   
     Vem o professor da musculação. Não dá para fazer, pois quem realiza o processo não está. Só vem de tarde. A p@%&! da gorda resolveu ir de manhã... Ok. Vai de tarde. No mesmo dia que é para não perder a vontade. O rapaz que inscreve precisou ir no médico. Ok. Deixa o telefone para marcar. O rapaz manda whats e remarcamos para o outro dia. Um sábado. Vai às 9h50 para efetuar o negócio. Cara na porta. O lugar estava fechado. Abre às 10h. Ahahaha. A gorda vai no parque, brinca, pula, corre, toma uma deliciosa água com colágeno (brinde da Floratus Farmácia de Manipulação que está em evento de saúde no Parque dos Macaquinhos). Energia renovada, movida por tanta magreza, beleza e saúde, a gorda volta na academia e.... Graças a Deus, acha o cara da inscrição! Inscreve. Paga o pacote do ano. É para não desistir.
Meta: começar na segunda. Aulas às 7h30. Beleza.

No domingo já faz aquela maionese com batata, ovo, azeite e milho (especialidade da casa) que é para aproveitar. Afinal, segunda vai queimar na academia! Mente de gordo é assim. Já tem o piloto automático da compensação. Junto, um bifinho frito (senhor que delícia. Glândulas salivares já se agitam só de pensar).


     Segunda, às 7h20 chega na academia. Pronta para o que der e vier. O rapaz que inscreve não passou a ficha para o sistema. Tem que esperar alguém vir abrir a catraca. Uns 10 minutos depois, alguém abre o acesso. Chega atrasada e descobre que o professor é o Coringa! Gente, o cara é de uma simpatia que não fecha o sorriso nunca. Algo impressionante. Faz a aula toda, sem parar. Pura ostentação muscular. Tô com medo. O cara suado, continua rindo. Aula termina. Todo o mundo destruído. O sujeito pingando, cara vermelha e rindo?! Coringa na certa. 


     Terça, 7h25. Chega na academia novamente com o dedinho pronto – na Vivará o aluno acessa o local a partir de registro digital. Não foi feito. Espera alguém notar que estou presa na entrada.


     Ufa. Entrei. Professor gato. Queridão. Aula de bodypump. Nunca tinha feito. Ahhh, antes tivesse ficado assim...
Na próxima, eu conto como foi essa aula. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um estímulo para voltar


Eu bem que estava precisando de um bom motivo para retomar minhas reflexões sobre esse universo de gordinhos e academias. O empurrãozinho veio hoje. Depois de uns 15 dias sem frequentar a academia, volto com foco. Gana. Objetivo.  Faço o treino (até um pouquinho mais do que estava na ficha só para dar um ar de vontade) e ao sair, pimba: vejo que conheço alguém que está fazendo os testes para iniciar seus treinos ali. Sem óculos, olho. Quase esbarro na pessoa. Sei que conheço, mas não consigo identificar. Coloco os óculos e vou até onde o suspeito de ser meu conhecido está, às vésperas de ele ligar a esteira. Peço licença. Digo que acho que conheço e peço seu nome. Sim, sim! Nos conhecemos. Fico muito feliz em ver mais pessoas buscando qualidade de vida, talvez, pessoas essas que por serem das minhas relações, entendam como me sinto também. Enfim, para mim, o momento é de acolhida. A instrutora que está acompanhando o primeiro dia do meu conhecido, fica meio sem entender nada. Não sabe se começa, se espera o papo acabar... Fulano, em cima da esteira me conta brevemente como foi parar ali. Diz que já perdeu uns bons quilos e que está satisfeito com seu programa na busca do peso ideal. Me pergunta se faz tempo que eu frequento o local. Digo que, apesar de não ser uma praticante exemplar, faz um certo... Ops!



É nesse momento que vem o empurrão que eu precisava. A instrutora interrompe a conversa para acrescentar que de fato eu não sou uma praticante exemplar. Falto muito. Meio sem jeito, tento explicar (não sei se para o conhecido ou se para a instrutora – talvez para ambos) que para mim é uma luta fazer academia, mudar hábitos alimentares e o que vem no pacote, mas que há dois anos eu ingressei na luta. Comecei pela academia e só no início desse ano é que estou sendo acompanhada no plano das refeições. Que estou inscrita há esse tempo todo e que por mais que falte, também volto.

Foi essa atitude de destacar o quanto eu “não sou exemplar, modelo, padrão de pessoa que vai ali na academia” que me fez voltar a escrever hoje. O rosto sério da moça. Fiquei pensando: deve ser difícil para ela também. Toda magra, toda focada em melhorar a vida das pessoas pelos exercícios e gente como eu – gorda preguiçosa que não vai para a frente, apesar de todos os esforços dos professores. 

Eu não sei o nome da instrutora em questão. Também é melhor assim, pois se soubesse, seria porque a conheço e aí ficaria muito mais difícil escrever sobre a atitude dela. Assim, penso eu, ela também falou por falar. Nem deve saber o meu nome, pois se soubesse, entenderia como me sinto em relação a academia. Saberia que vivo numa luta comigo mesmo. Talvez a pior luta que alguém possa travar na vida. Lutar por uma causa, ou contra alguém é melhor do que dar na cara da gente mesmo quase todos os dias.

Não me entendam mal. Não estou brava com a instrutora, que aliás - é ótima profissional. A questão aqui não é a habilidade dela como professora. Apenas uma atitude. Já fiz aulas com ela. Posso afirmar. Creio que ela não fez para me magoar. Talvez ela nem tenha notado que me abalou.  Ela só queria que o meu conhecido se espelhasse em modelos inspiradores.  O que lhe faltou talvez, seja experiência de vida. Isso ela vai ganhar com o tempo. A vida ensina. O fato é que se ela me conhecesse mesmo, saberia que eu não quero ser exemplo para ninguém. Muito menos tenho a pretensão de ser modelo. Ora, ora. Eu quero é viver mais. Para além de tudo o que já fiz na minha vida e ficou para trás, eu quero o que vem pela frente.  Valorizar mais a cabeça do que o corpo, me fez ver que só seremos plenos sendo as duas coisas ao mesmo tempo. É isso que busco. Viver bem, viver por mais tempo, não ter medo de ir no médico na próxima vez e ouvir que agora sim tenho uma doença ruim que poderia ter sido evitada. Quero andar leve para onde eu quiser, ver a roda girar por mais tempo. Talvez o meu conhecido entendesse o que eu sinto. Talvez ele soubesse o que procuro. Talvez ele entendesse. Por isso fui conversar. Porque quero um mundo onde as pessoas se importem umas com as outras. Comemorem as suas vitórias juntos. Quero um mundo onde possamos simplesmente ser – magros, gordos, altos, baixos, peles multicoloridas, sexo com amor independente do gênero. Quero amizade e fraternidade.

Foi isso que me motivou escrever. Quisera eu ter podido dizer para a instrutora, sem ofendê-la, que eu esperava que ela sorrisse mais para mim. Que me abraçasse cada vez que chego na academia e comemorasse comigo por ter vencido a luta naquele dia e ter ido. Ora bolas, não fui tantas vezes, mas o ontem é passado. Não move mais moinhos. Hoje eu estava lá. Quisera me sentir acolhida, isso vai determinar se irei amanhã... Bingo! É isso professores de academia.

É como amar ou não matemática e português no ensino fundamental e depois física e química no ensino médio. Se os professores são maneiros e acreditam no aluno, eles inevitavelmente vão acreditar também. Matemática vai ser legal. Português será a descoberta do universo pela linguagem. Quase uma senha para navegar na linha do tempo. Física será como se pudéssemos dominar o mundo por entendê-lo  e química, meu caro Watson, será elementar!


O meu conhecido? Bom, não sei como ele ficou nisso tudo. Não menciono o nome dele porque não tem nada a ver com a minha história diante do fato. Talvez a percepção dele seja outra. Talvez...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Mulher codeguim


Ei, onde estão as mulheres frutas, carnes e afins com a gastronomia? Saudade da mulher pera, mulher melão, mulher melancia, mulher filé...

Vou relançar a moda e pedir a volta das mulheres com corpo de legumes e outros ingredientes. Na academia poderia ter a mulher batata doce. A versão masculina seria algo do tipo “homem tapioca”. Eu certamente me lanço como a Mulher Codeguim. Típica da Serra Gaúcha, meio morcilha, meio mortadela – no ápice ficou mais para codeguim mesmo.

Tá, vou explicar para quem não está entendendo nada. É que aqui no Sul, o povo adora fazer e consumir embutidos como a morcilha, ou morcela que é um enchido recheado com sangue, gordura e farinha ou arroz que fica escurecido no produto final (Eca!). Tem a mortadela que também é um embutido feito de carnes diversas e “cubos de gordura”.
 

Ahhh, tem outra iguaria aqui na terrinha: o queijo de porco, feito com aparas de suíno, vitela, pedaços de cabeça e patas – tudo temperado com muita pimenta, vinagre e outras coisinhas que só Deus sabe. Fica com aparência e consistência gelatinosa que a italianada “adora”. E agora vem o codeguim. Esse embutido é na verdade uma lingüiça elaborada com carne de porco, couro cozido, gordura e temperos. Na Itália, de onde é originário, é chamado de cotechino.
 

Bem, toda essa explicação para dar sentido à moda da Mulher Codeguim. É assim que me sinto, pois depois de anos sem vestir uma calça Jeans – e todo o gordo sabe o desafio de entrar num jeans – a gordinha meio malhada, meio pelanca caída, veste uma calça antiga e, e, e, e? E entra! Uhul. Só que como se fosse um codeguim. É um troço mal vestido que entorta nas coxas, sobra no quadril, agarra na panturrilha e aperta na cintura. Mas.... entra.
Hummm, ficou esperando a fotinho dela né?! Vou poupá-los dessa visão do inferno. Não quero comprometer o seu sanduíche no futuro. Acho que já foi bastante saber o que tem dentro desses produtinhos que de vez em quando "caem" no nosso prato. Basta.

No verão, salve a Mulher Codeguim!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O negócio tá ficando bom


 
Eita mundo bão! E não é que por fora eu ainda sou gorda, mas algo deve estar mudando internamente... Vai que minha alma já está emagrecendo e ficando sarada!? Kkkk

 O fato é que os semelhantes se atraem. Ao menos é o que dizem os versos populares não é?!

Ok, vou contar o feito. No final de semana teve aniversário de colega de trabalho. Entre os seus, foram convidados amigos da infância, gente de fora da cidade, a tchurma da rádio e gentes de momentos especiais da vida do Ivan Sgarabotto. Eu cheguei um pouco atrasada e fiquei mais para o meio da mesa. Não sei como, ao meu ladinho, foram sentando todos os “sarados” da festa. Isso mesmo: eu e os sarados. É claro que no local tinha gente de todo o tipo e biótipo. Magros, altos, fofinhos, sérios, risonhos, mas um único grupo visivelmente identificado pela atividade física. Pessoal de músculos à mostra, pernas torneadas e cintura malhada. Imagina a cena. A única gorda da festa caída de paraquedas no centro com os bombados. Todos praticantes assíduos e apaixonados por academia e afins. O primeiro desafio foi sobre o que falar ou se escolhia se fingir de morto. Bom, resolvi falar. Falamos de receitas sem gordura, os treinos funcionais, as dietas esportivas e a importância de manter projetos pessoais de nutricionista para transformar gordura em músculo. Também falamos sobre a infelicidade do desejo de consumir delícias cheias de calorias. Claro, isso menos. Falamos de Pole Dance (sim tinha uma competidora dessa modalidade) e da importância de não perder treino.
 

Em um certo momento, o grupo sensibilizado com meu peso, reconheceu que viver regrado nem sempre é viver feliz, mas todos concordamos que se cuidar é um mal necessário. Um dos fortes contou que já teve um momento cheinho. Outro forte também revelou que anda cansado de tanta disciplina. Os meninos mais dispostos a ceder, sucumbir de vez em quando. Agora as meninas, uhul! Uma apaixonada por acrobacias contou que não pode vacilar com a alimentação e pude constatar que a guria é bala. Nem diante de uma torta de morango ela cedeu. A outra, muito linda como todas as pertencentes ao grupo, se achava gorda! (corpinho violão!). A outra, nutricionista, não sucumbiu nem ao pãozinho. Só tenho a dizer: gurias, vocês são inspiração!

Eu, a gorda, ali meio perdida, meio achada – fui ficando. Loucura né?! O pessoal gente fina (nos dois sentidos) toparam e até fizemos o registro em fotografia do momento ironia:  gorda e a elite!

 


P.S. Um abraço a Gabriela e seu partner Eduardo, ao Lucas e sua linda nutricionista particular (já que ele é o único em regime de engorda) e o Maurício e sua linda bailarina acrobata queridona. Obrigado por deixar eu me achar! Hahaha. Algo em mim tinha que emagrecer, nem que seja alguma coisa por dentro que ainda não sei identificar...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Por que você frequenta a academia?


 
Vamos ser honestos? Quando o educador físico te recebe na academia e inevitavelmente pergunta “qual o seu objetivo”, todo o mundo vai nas respostas prontas do socialmente correto.  Espera-se que o perguntado responda frases como: melhorar a saúde, ficar mais resistente, reforçar a musculatura e perder uns quilinhos é claro – assim, no geral.

Quando um gordinho chega na academia, também responde essas frases e elas não são uma completa mentira, mas também não são uma verdade inteira.
 

O que todo o gordinho queria responder na real quando chega na academia é: “quero acabar com a pança e extirpar a parte mole do lado interno da coxa”! É isso. Simples assim. Gordo sofre mesmo não é com o peso geral, mas com as dobras, as sobras e as raspas. Vou explicar. Nas costas, tudo dobra. Na barriga, tudo sobra. Na parte interna da coxa, tudo raspa.

Pensa num gordinho que a pança balança o tempo todo. É como se a gente praticasse Zumba  o dia todo, todas as horas só que sem música, sem luzes, sem o professor bonitão. Aquela pochete que a gente carrega insiste em fazer movimentos involuntários. Parece que a gente tem espasmos permanentes. Dá uma raiva.

Na parte interna da coxa então, a raiva é associada à dor. Se o gordo inocente resolver usar uma calça com a perna mais larga, uma saia no caso das meninas ou uma bermuda mais curta - é assadura na certa. O negócio começa a friccionar, esquentar e no final dá para fritar um ovo, um bife... Hummm já começou a melhorar!

O pior é que essa é uma verdade das muitas verdades veladas por aí. Os gordinhos sabem que é assim, mas fingem que é um problema só seu. Não é não. É de todos os mais cheinhos. As academias sabem que isso é comum, mas não colocam um programa específico, mais certeiro. A gente não fala e demora mais para atingir o resultado desejado.
 

Enfim, por um mundo com mais verdade, menos panças involuntárias e coxas assadas!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Meu pingente de academia

Todo o universo do marketing pensa em frases tão boas para expressar ideias que caibam em uma camiseta. É por isso que nascem essas frases feitas que a gente acaba adotando e de tanto que falam, ninguém mais sabe como surgiram. Bom, eu sou uma gorda chique! Eu não tenho camiseta (até porque elas são muito pequenas e a cada braço levantado a gente paga pança!). Eu tenho pingente de academia! Hahaha.


A amiga Catelini Padilha é uma artesão de mão cheia. Motivada pelo blog e minhas aventuras contra garrafinhas de Marte, bolas de pilates que se confudem com bolas praticantes, esteiras enfeitiças, relógios comprados no leilão do inferno, conversinha e músicas de academia – ela resolveu me presentear com um pingente que na frente é uma obra de arte e atrás carrega uma mensagem que diz tudo: “GO”.

A ideia sintetiza muito bem tudo que deve ser dito e pensado nesse momento. Então, vou usar como hashtag. Vai ser assim: #GoAcademia. Fala sério. Ficou ótimo!


Perdeu turma do marketing!!!

A saga da salada


Depois de dias afastada, resolvi falar dos assuntos aqui do blog por vídeo. Nesse, a ideia é reforçar a continuidade do programa de treinamento, mesmo que devagar e contar sobre o aumento do consumo de legumes e verduras. São baldes de alface e brócolis!

A gorda aranha


Agora com suplementos da ATP. Cápsulas termoativas para acelerar metabolismo e chá com mix energético. Com todo esse incentivo só tenho um recado para a mulher gato: perdeu!

Que mensagem você colocaria na sua camiseta de academia?

Conseguir expressar em uma frase curta todo um sentimento ou pensamento sobre uma causa, um assunto ou uma missão – não é fácil. Mas, o pessoal de academia, como sabemos, é muito criativo.

 Tem aquelas frases do tipo “Desistir não é uma opção”, “Força e foco”, “Sem dor não há resultado”. 

Elas são simples e mandam o recado. Só que para gordinhos é um verdadeiro absurdo. Aliás, sei lá se só para gordinhos. Essas mensagens estão mais no mecânico do que no âmbito da razão. É meio piloto automático.


 


Na real, eu tenho vontade de bater em quem diz essas frases repetidas. Eu quero ter opção de escolher, de desistir, de trocar, de não ir, de me mudar para Paris!

Manter o foco e a força na atividade física soa meio como aspirante à vaga do Capitão Nascimento em Tropa de Elite e achar que sentir dor é uma coisa boa e inevitável para obter o corpo desejado, parece estratégia da Inquisição contra Joana D’Arc. Não sirvo para nenhuma delas.

Se eu fosse elaborar minha campanha de marketing na academia, a camiseta seria algo do tipo família tartaruga: “Devagar e sempre”, “Fé e Coragem”, “Vai que Termina” ou ainda “Segura o Tchan”, “Não para que Piora”, “Aproveita o Embalo”, “Firme como Poste em Banhado”.

Outra questão que me intriga profundamente, já que estamos na vibe de camisetas, é porque encurtaram todas as camisetas do mundo???? Tudo virou baby look. Aquelas camisetinhas pitocas que levanta o braço aparece a pança?
Resumindo a ópera, esquece a camista!


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Papo franco com Beverli Rocha


Como seria o mundo se a gente pudesse ser 100% sincero, franco e verdadeiro? Se as pessoas falassem umas com as outras diretamente, sem filtros e censuras sociais? Se o mimimi caísse por terra? Seria o meu sonho de paraíso. Adoro franqueza, mas no mundo do politicamente correto, a gente se abstém. Finge, omite, suporta, ri – às vezes até motivado por um certo nervoso que algumas situações nos causam.

Como esse mundo sincero total não existe, vou me manter no universo da franqueza no que tange a academia. Hoje, pelo lado das coisas que a gente finge que sabe, mas não sabe. É como no universo da tecnologia quando falamos de sistema operacional, dispositivo móvel, mobile, aplicativos como snap, e alguns serviços do Google como o ads e alerta, mas na verdade é um monte de gente tentando dominar um mar revolto de incertezas e desconhecimento. Nesse item, está tudo em construção. Gentileza e educação seria apenas reconhecer. A gente entra na fila falando um monte de nomes bonitos e tentando praticar as novidades mesmo não entendendo patavina nenhuma de verdade. Fala difícil. Cara de inteligente. É moda.

A gastronomia também é farta de exemplos. Quer ver? Sabe aquele grupo de pessoas que vai em festas chiques com uma mesa montada em pratos, talheres e copos em uma determinada ordem com entradas, pratos quentes e frios que sabe Deus como decoram a ordem do negócio.  A gente dá aquela olhadinha básica e sai imitando aqueles que “parecem” saber mais pela destreza, falta de medo ou falta de vergonha. 


Na academia é mais ou menos o mesmo: tem aparelho que trabalha tríceps, bíceps e outros músculos. Tem os aparelhos com nomes alemães, tem os mais descolados que lembram nomes gregos ou russos. Nós, os incautos, entramos nessa onda e copiamos os demais. Rimos quando todos riem. Achamos bom aquilo que a maioria também acha. Falamos de dietas e comidas insossas porque a galera tá curtindo isso no momento. Agora imagina se colocássemos em prática a franqueza nesse ambiente?


 Vai aí cinco exemplos bem diretos:
1 - A bonitona que comeu batata doce no almoço e fica contando para todo o mundo como se fosse um troféu. (coitada, imagina o pum musculoso que ela vai soltar daqui um pouco!).

2 – A mina com a calça colada tipo “bunda de fora”. (Querida, esse capô gordinho não pega bem).

3 – O tiozinho que vai na academia paquerar e azarar a mulherada. (Chupa-cabra do cão! Vai se catar!).

4 – Promoção de academia: pague livre só um pouquinho a mais do que três vezes por semana. (Fala sério, não consegue nem manter as três vezes?).


5 – Discurso de terapia durante o treino: o filho, o marido, a barriga, o patrão, as doenças, a vida... (Ai meu Deus! Melhor ouvir isso do que ser surdoooo.).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Pensar magro???


Que balela é essa de pensar magro gente?! Ninguém pensa magro, nem mesmo os magros.
Eu conheço um monte de magrinhos que comem mais do que eu e pensam mais em comida do que o Anonymus Gourmet! É sério. Quem é o senhor ou senhora incrível que pensa em maçã, berinjela ou alface? A turma fit come batata doce, mas pensa em brigadeiro. Tenho certeza. Até porque pensar é um ato que exige esforço do vivente. Comer e malhar estão no âmbito do mecânico. A gente faz essas coisas na mecanicidade da rotina porque está habituado.


 É como escovar os dentes. Se a sua mãe foi uma senhora eficiente e te ensinou a escovação e o banho, você vai fazer isso sem pensar. Você LEMBRA que tem que escovar os dentes, tomar banho, comer frutas e legumes. E também você SABE que isso é necessário e por isso inclui na sua rotina. Passa a fazer parte. É por isso que eu afirmo: não existe essa de PENSAR magro. A gente tem que AGIR magro. Isso sim!

Hoje eu comprovei o fato. Tive um “clique” na coluna (não gente, não foi na academia, foi na faxina. Foi na coluna e fazendo faxina – para ficar claro, porque lendo em voz alta parece que o clique foi noutro lugar).  


Precisei ficar uns dias cuidando para sentar, levantar, deitar. Fiquei uma semana fora da academia. A boa notícia é que depois de três meses, já estou meio habituada e na volta foi menos difícil. Fiz o treino na segunda e hoje já pensei em faltar (eu sempre penso em alguma desculpa para faltar). Então eu me dei um golpe. Saí que nem ninja: dei um coice na preguiça, um soco no sono, vesti a roupa de academia (isso é outro capítulo à parte), calcei o tênis bonzão e fui. Não PENSEI. AGI.

Então meu amores, o negócio não é pensar magro. Ficar tentando gostar de todos os legumes, shakes e sucos alucinógenos que a gente imagina que faz a alegria do paladar dos malhados. Isso é engodo. O que funciona para os magros é que eles não pensam. Eles agem.



Conclusão: estou super feliz, pois essa de pensar magro como estratégia propagada a passo largo sempre me irritou. Parecia uma heresia contra o ato de pensar. Agora tá tranquilo. Tá favorável.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A gorda adormecida



Era uma vez, uma gordinha muito gente boa. Ela era feliz e muito ativa. Adorava comer, conversar, rir e ler. Agitada e sempre disposta, a gordinha só não tinha paciência para exercícios físicos. Gostava das coisas da mente e da alma. Um dia, uma bruxa muito malvada chamada Estatística Médica, ciumenta da vida feliz que a gordinha levava, anunciou um feitiço. “Se a gordinha, no tempo de 100 dias, não aprender a correr, pular, saltar e rolar no reino da Academia, ela vai móóórrer!”.
Assustada com o prenúncio da maldade, a gordinha foi para o reino da Academia e começou a se exercitar três vezes na semana. Assim, ela tinha três dias para sofrer, dois para pensar em um jeito de desistir  e o final de semana para ganhar fôlego e se recuperar. 

Parecia que tudo daria certo, mas a gordinha vivia com sono. 


Ela malhava e bocejava. Saia do treino e tinha que dormir. O cansaço do corpinho tomou conta. Ela não móóórreu, mas se transformou na gordinha adormecida.



Era isso.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Cindegorda e a academia de cristal


Ao Sul da República das Bananas, morava uma jovem, linda e fofinha princesa. Ela nasceu em uma época e lugar no qual todos gostavam de comer. Se estavam tristes, comiam para compensar. Se ficavam alegres, comiam para comemorar. Entre tristezas e felicidades, a menina cresceu, cresceu... 

Junto com ela, muitos moradores do lugar também estavam fofos. Foram todos para a academia fazer exercícios. Lá, o ponto mais interessante era a área dos cristais, onde o fiel praticante podia se ver refletido.  A Cindegorda, não caiu nessa da área de cristal. Ela conheceu o belo Narciso e sabia como essa história terminava. Então, tirou o sapatinho, calçou o tênis e foi à luta.



A turma da academia de cristal começou a comer batata doce e alface. Cindegorda preferia coxinha de frango, enroladinho de salsicha, sanduíche de salame e fortaia de queijo Serrano.
Cindegorda malhou, malhou e ainda não emagreceu nada, mas ela tem até a meia noite para perder peso ou encontrar o príncipe encantado que pode chegar a galope na esteira.

Cindegorda é otimista: se nada der certo, ainda tem a abóbora. Caramelada fica boa.



The End

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A gorda na academia e os contos de fadas

O título de hoje é...

A gorda vermelha e a academia do mau



   Era uma vez, uma jovem gordinha que adorava vermelho. Ela era feliz e andava com seu véu esvoaçante vermelhinho sobre sua cabeça. A gordinha vermelha, como era conhecida por todos, saiu de casa com sua linda cestinha na qual ela pretendia colher as flores da primavera. Um belo dia, sem que percebesse, foi conduzida por uma mão misteriosa e invisível do tempo em que ela vivia e que orientava a todos a praticar academia. 


A gordinha vermelha foi falando com os passarinhos pelo caminho, se distraindo com as padarias da vida, beliscando guloseimas aqui e ali até que acabou se deparando com a academia do mau. No horário que ela chegou, muitos vovôs e vovós frequentavam e a sinergia foi imediata. A gordinha vermelha, ingênua - ficou encantada com o lugar e começou a ir lá três vezes por semana. Foi tudo muito natural e alegre até que um dia a gordinha vermelha achou muito estranho os aparelhos que lá estavam e começou a considerar: para quê essas esteiras tão barulhentas?

 Ao que a academia do mau respondia sucessivamente: é para te fazer correr gordinha. E para quê esses halteres todos? É para te deixar mais forte gordinha. E para quê essas cordas de crossfit? É para te destruiiirrrrr.



Fim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Quem inventou isso?


 
    A musculação é muito, muito antiga. Há registros históricos de que tenha iniciado na Antiga Grécia com Milon de Creton que costumava levantar um bezerro nas costas, mas o início moderno do fisiculturismo foi mesmo em 1901 com a primeira competição chamada “O Físico mais Fabuloso do Mundo”.  Esse campeonato foi idealizado e realizado por Eugene Sandow em Londres e por isso, ele é considerado o pai da musculação.


 Já o Pilates surgiu nos idos da primeira guerra mundial quando Joseph Hubertus Pilates inventou e aperfeiçoou a técnica em um campo de concentração. 

O Crossfit foi inventado pelo ex-ginasta americano Greg Classman em 2000. O treinamento funcional existe desde 1949 com conhecimentos adotados da fisioterapia nos Estados Unidos e Europa. A técnica funcional mais conhecida foi descoberta pelo Dr. Izumi Tabata em Tóquio.
 


 O boxe já é conhecido desde 1500 a.C., mas a versão mais atualizada surgiu no século 17 com o nobre inglês Marquês de Queensbury que criou as primeiras regras. O boxe foi se consolidando no universo dos esportes com os campeões famosos como Muhammad Ali.


Agora, quem foi o miserável, essa cruza do capiroto com a cuca - que inventou o uso de todas essas modalidades juntas?????  Bonito hein! Pegam uma gordinha ingênua, alegre e faceira na academia e criam um treino com tudo isso junto incluído!
 

Desde que comecei a freqüentar a academia esse ano, já percebi mudanças no espaço físico do local. Além dos tradicionais aparelhos com nomes de alemães, ingleses e russos, tem as bolas, molas e borrachas do Pilates. Gradativamente apareceram pneus de caminhão e cordas do crossfit. Vieram logo em seguida, as camas elásticas e os apetrechos para o funcional. Agora surgem os sacos de areia pendurados ao alto do boxe. Cruzes, isso sim parece um campo de concentração!

 Só falta inserir bezerros carregados nas costas para retornar às origens...

Conclusão: entre narcisos e ninjas, academia é um negócio do mal!