segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um estímulo para voltar


Eu bem que estava precisando de um bom motivo para retomar minhas reflexões sobre esse universo de gordinhos e academias. O empurrãozinho veio hoje. Depois de uns 15 dias sem frequentar a academia, volto com foco. Gana. Objetivo.  Faço o treino (até um pouquinho mais do que estava na ficha só para dar um ar de vontade) e ao sair, pimba: vejo que conheço alguém que está fazendo os testes para iniciar seus treinos ali. Sem óculos, olho. Quase esbarro na pessoa. Sei que conheço, mas não consigo identificar. Coloco os óculos e vou até onde o suspeito de ser meu conhecido está, às vésperas de ele ligar a esteira. Peço licença. Digo que acho que conheço e peço seu nome. Sim, sim! Nos conhecemos. Fico muito feliz em ver mais pessoas buscando qualidade de vida, talvez, pessoas essas que por serem das minhas relações, entendam como me sinto também. Enfim, para mim, o momento é de acolhida. A instrutora que está acompanhando o primeiro dia do meu conhecido, fica meio sem entender nada. Não sabe se começa, se espera o papo acabar... Fulano, em cima da esteira me conta brevemente como foi parar ali. Diz que já perdeu uns bons quilos e que está satisfeito com seu programa na busca do peso ideal. Me pergunta se faz tempo que eu frequento o local. Digo que, apesar de não ser uma praticante exemplar, faz um certo... Ops!



É nesse momento que vem o empurrão que eu precisava. A instrutora interrompe a conversa para acrescentar que de fato eu não sou uma praticante exemplar. Falto muito. Meio sem jeito, tento explicar (não sei se para o conhecido ou se para a instrutora – talvez para ambos) que para mim é uma luta fazer academia, mudar hábitos alimentares e o que vem no pacote, mas que há dois anos eu ingressei na luta. Comecei pela academia e só no início desse ano é que estou sendo acompanhada no plano das refeições. Que estou inscrita há esse tempo todo e que por mais que falte, também volto.

Foi essa atitude de destacar o quanto eu “não sou exemplar, modelo, padrão de pessoa que vai ali na academia” que me fez voltar a escrever hoje. O rosto sério da moça. Fiquei pensando: deve ser difícil para ela também. Toda magra, toda focada em melhorar a vida das pessoas pelos exercícios e gente como eu – gorda preguiçosa que não vai para a frente, apesar de todos os esforços dos professores. 

Eu não sei o nome da instrutora em questão. Também é melhor assim, pois se soubesse, seria porque a conheço e aí ficaria muito mais difícil escrever sobre a atitude dela. Assim, penso eu, ela também falou por falar. Nem deve saber o meu nome, pois se soubesse, entenderia como me sinto em relação a academia. Saberia que vivo numa luta comigo mesmo. Talvez a pior luta que alguém possa travar na vida. Lutar por uma causa, ou contra alguém é melhor do que dar na cara da gente mesmo quase todos os dias.

Não me entendam mal. Não estou brava com a instrutora, que aliás - é ótima profissional. A questão aqui não é a habilidade dela como professora. Apenas uma atitude. Já fiz aulas com ela. Posso afirmar. Creio que ela não fez para me magoar. Talvez ela nem tenha notado que me abalou.  Ela só queria que o meu conhecido se espelhasse em modelos inspiradores.  O que lhe faltou talvez, seja experiência de vida. Isso ela vai ganhar com o tempo. A vida ensina. O fato é que se ela me conhecesse mesmo, saberia que eu não quero ser exemplo para ninguém. Muito menos tenho a pretensão de ser modelo. Ora, ora. Eu quero é viver mais. Para além de tudo o que já fiz na minha vida e ficou para trás, eu quero o que vem pela frente.  Valorizar mais a cabeça do que o corpo, me fez ver que só seremos plenos sendo as duas coisas ao mesmo tempo. É isso que busco. Viver bem, viver por mais tempo, não ter medo de ir no médico na próxima vez e ouvir que agora sim tenho uma doença ruim que poderia ter sido evitada. Quero andar leve para onde eu quiser, ver a roda girar por mais tempo. Talvez o meu conhecido entendesse o que eu sinto. Talvez ele soubesse o que procuro. Talvez ele entendesse. Por isso fui conversar. Porque quero um mundo onde as pessoas se importem umas com as outras. Comemorem as suas vitórias juntos. Quero um mundo onde possamos simplesmente ser – magros, gordos, altos, baixos, peles multicoloridas, sexo com amor independente do gênero. Quero amizade e fraternidade.

Foi isso que me motivou escrever. Quisera eu ter podido dizer para a instrutora, sem ofendê-la, que eu esperava que ela sorrisse mais para mim. Que me abraçasse cada vez que chego na academia e comemorasse comigo por ter vencido a luta naquele dia e ter ido. Ora bolas, não fui tantas vezes, mas o ontem é passado. Não move mais moinhos. Hoje eu estava lá. Quisera me sentir acolhida, isso vai determinar se irei amanhã... Bingo! É isso professores de academia.

É como amar ou não matemática e português no ensino fundamental e depois física e química no ensino médio. Se os professores são maneiros e acreditam no aluno, eles inevitavelmente vão acreditar também. Matemática vai ser legal. Português será a descoberta do universo pela linguagem. Quase uma senha para navegar na linha do tempo. Física será como se pudéssemos dominar o mundo por entendê-lo  e química, meu caro Watson, será elementar!


O meu conhecido? Bom, não sei como ele ficou nisso tudo. Não menciono o nome dele porque não tem nada a ver com a minha história diante do fato. Talvez a percepção dele seja outra. Talvez...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Mulher codeguim


Ei, onde estão as mulheres frutas, carnes e afins com a gastronomia? Saudade da mulher pera, mulher melão, mulher melancia, mulher filé...

Vou relançar a moda e pedir a volta das mulheres com corpo de legumes e outros ingredientes. Na academia poderia ter a mulher batata doce. A versão masculina seria algo do tipo “homem tapioca”. Eu certamente me lanço como a Mulher Codeguim. Típica da Serra Gaúcha, meio morcilha, meio mortadela – no ápice ficou mais para codeguim mesmo.

Tá, vou explicar para quem não está entendendo nada. É que aqui no Sul, o povo adora fazer e consumir embutidos como a morcilha, ou morcela que é um enchido recheado com sangue, gordura e farinha ou arroz que fica escurecido no produto final (Eca!). Tem a mortadela que também é um embutido feito de carnes diversas e “cubos de gordura”.
 

Ahhh, tem outra iguaria aqui na terrinha: o queijo de porco, feito com aparas de suíno, vitela, pedaços de cabeça e patas – tudo temperado com muita pimenta, vinagre e outras coisinhas que só Deus sabe. Fica com aparência e consistência gelatinosa que a italianada “adora”. E agora vem o codeguim. Esse embutido é na verdade uma lingüiça elaborada com carne de porco, couro cozido, gordura e temperos. Na Itália, de onde é originário, é chamado de cotechino.
 

Bem, toda essa explicação para dar sentido à moda da Mulher Codeguim. É assim que me sinto, pois depois de anos sem vestir uma calça Jeans – e todo o gordo sabe o desafio de entrar num jeans – a gordinha meio malhada, meio pelanca caída, veste uma calça antiga e, e, e, e? E entra! Uhul. Só que como se fosse um codeguim. É um troço mal vestido que entorta nas coxas, sobra no quadril, agarra na panturrilha e aperta na cintura. Mas.... entra.
Hummm, ficou esperando a fotinho dela né?! Vou poupá-los dessa visão do inferno. Não quero comprometer o seu sanduíche no futuro. Acho que já foi bastante saber o que tem dentro desses produtinhos que de vez em quando "caem" no nosso prato. Basta.

No verão, salve a Mulher Codeguim!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O negócio tá ficando bom


 
Eita mundo bão! E não é que por fora eu ainda sou gorda, mas algo deve estar mudando internamente... Vai que minha alma já está emagrecendo e ficando sarada!? Kkkk

 O fato é que os semelhantes se atraem. Ao menos é o que dizem os versos populares não é?!

Ok, vou contar o feito. No final de semana teve aniversário de colega de trabalho. Entre os seus, foram convidados amigos da infância, gente de fora da cidade, a tchurma da rádio e gentes de momentos especiais da vida do Ivan Sgarabotto. Eu cheguei um pouco atrasada e fiquei mais para o meio da mesa. Não sei como, ao meu ladinho, foram sentando todos os “sarados” da festa. Isso mesmo: eu e os sarados. É claro que no local tinha gente de todo o tipo e biótipo. Magros, altos, fofinhos, sérios, risonhos, mas um único grupo visivelmente identificado pela atividade física. Pessoal de músculos à mostra, pernas torneadas e cintura malhada. Imagina a cena. A única gorda da festa caída de paraquedas no centro com os bombados. Todos praticantes assíduos e apaixonados por academia e afins. O primeiro desafio foi sobre o que falar ou se escolhia se fingir de morto. Bom, resolvi falar. Falamos de receitas sem gordura, os treinos funcionais, as dietas esportivas e a importância de manter projetos pessoais de nutricionista para transformar gordura em músculo. Também falamos sobre a infelicidade do desejo de consumir delícias cheias de calorias. Claro, isso menos. Falamos de Pole Dance (sim tinha uma competidora dessa modalidade) e da importância de não perder treino.
 

Em um certo momento, o grupo sensibilizado com meu peso, reconheceu que viver regrado nem sempre é viver feliz, mas todos concordamos que se cuidar é um mal necessário. Um dos fortes contou que já teve um momento cheinho. Outro forte também revelou que anda cansado de tanta disciplina. Os meninos mais dispostos a ceder, sucumbir de vez em quando. Agora as meninas, uhul! Uma apaixonada por acrobacias contou que não pode vacilar com a alimentação e pude constatar que a guria é bala. Nem diante de uma torta de morango ela cedeu. A outra, muito linda como todas as pertencentes ao grupo, se achava gorda! (corpinho violão!). A outra, nutricionista, não sucumbiu nem ao pãozinho. Só tenho a dizer: gurias, vocês são inspiração!

Eu, a gorda, ali meio perdida, meio achada – fui ficando. Loucura né?! O pessoal gente fina (nos dois sentidos) toparam e até fizemos o registro em fotografia do momento ironia:  gorda e a elite!

 


P.S. Um abraço a Gabriela e seu partner Eduardo, ao Lucas e sua linda nutricionista particular (já que ele é o único em regime de engorda) e o Maurício e sua linda bailarina acrobata queridona. Obrigado por deixar eu me achar! Hahaha. Algo em mim tinha que emagrecer, nem que seja alguma coisa por dentro que ainda não sei identificar...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Por que você frequenta a academia?


 
Vamos ser honestos? Quando o educador físico te recebe na academia e inevitavelmente pergunta “qual o seu objetivo”, todo o mundo vai nas respostas prontas do socialmente correto.  Espera-se que o perguntado responda frases como: melhorar a saúde, ficar mais resistente, reforçar a musculatura e perder uns quilinhos é claro – assim, no geral.

Quando um gordinho chega na academia, também responde essas frases e elas não são uma completa mentira, mas também não são uma verdade inteira.
 

O que todo o gordinho queria responder na real quando chega na academia é: “quero acabar com a pança e extirpar a parte mole do lado interno da coxa”! É isso. Simples assim. Gordo sofre mesmo não é com o peso geral, mas com as dobras, as sobras e as raspas. Vou explicar. Nas costas, tudo dobra. Na barriga, tudo sobra. Na parte interna da coxa, tudo raspa.

Pensa num gordinho que a pança balança o tempo todo. É como se a gente praticasse Zumba  o dia todo, todas as horas só que sem música, sem luzes, sem o professor bonitão. Aquela pochete que a gente carrega insiste em fazer movimentos involuntários. Parece que a gente tem espasmos permanentes. Dá uma raiva.

Na parte interna da coxa então, a raiva é associada à dor. Se o gordo inocente resolver usar uma calça com a perna mais larga, uma saia no caso das meninas ou uma bermuda mais curta - é assadura na certa. O negócio começa a friccionar, esquentar e no final dá para fritar um ovo, um bife... Hummm já começou a melhorar!

O pior é que essa é uma verdade das muitas verdades veladas por aí. Os gordinhos sabem que é assim, mas fingem que é um problema só seu. Não é não. É de todos os mais cheinhos. As academias sabem que isso é comum, mas não colocam um programa específico, mais certeiro. A gente não fala e demora mais para atingir o resultado desejado.
 

Enfim, por um mundo com mais verdade, menos panças involuntárias e coxas assadas!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Meu pingente de academia

Todo o universo do marketing pensa em frases tão boas para expressar ideias que caibam em uma camiseta. É por isso que nascem essas frases feitas que a gente acaba adotando e de tanto que falam, ninguém mais sabe como surgiram. Bom, eu sou uma gorda chique! Eu não tenho camiseta (até porque elas são muito pequenas e a cada braço levantado a gente paga pança!). Eu tenho pingente de academia! Hahaha.


A amiga Catelini Padilha é uma artesão de mão cheia. Motivada pelo blog e minhas aventuras contra garrafinhas de Marte, bolas de pilates que se confudem com bolas praticantes, esteiras enfeitiças, relógios comprados no leilão do inferno, conversinha e músicas de academia – ela resolveu me presentear com um pingente que na frente é uma obra de arte e atrás carrega uma mensagem que diz tudo: “GO”.

A ideia sintetiza muito bem tudo que deve ser dito e pensado nesse momento. Então, vou usar como hashtag. Vai ser assim: #GoAcademia. Fala sério. Ficou ótimo!


Perdeu turma do marketing!!!

A saga da salada


Depois de dias afastada, resolvi falar dos assuntos aqui do blog por vídeo. Nesse, a ideia é reforçar a continuidade do programa de treinamento, mesmo que devagar e contar sobre o aumento do consumo de legumes e verduras. São baldes de alface e brócolis!

A gorda aranha


Agora com suplementos da ATP. Cápsulas termoativas para acelerar metabolismo e chá com mix energético. Com todo esse incentivo só tenho um recado para a mulher gato: perdeu!