sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Encontrai o caminho do meio


Já falei aqui sobre as conversinhas de academia, mas preciso voltar ao assunto. Faz alguns dias que percebo um outro público que também sente necessidade de falar sobre suas questões e não é aquele que quer cortar alimentos, mesmo sem precisar.

É uma turma mais madura. Normalmente mulheres. Elas são uma espécie de Angelina Jolie brasileira. Essa, muito prevenida, tirou os seios para evitar o câncer de mama que é genético na família dela. Não quero  entrar no mérito, mas vamos combinar que é uma medida drástica. Então, esse grupo de mulheres na faixa dos 50 a 60 anos da academia, também está muito prevenido.

Tem uma senhora que só fala que não come salame, não come pão, não come massa, não come frios (nem quentes!), não como nada. Toma muita água, salada sem tempero e sementes. Foram tantos dias dessa conversa que não aguentei e fui lá saber o motivo. O papo era assim: “eu adoro salame, mas meu médico proibiu. Adoro arroz, pão e polenta, mas meu médico proibiu”. De cara eu já queria saber logo o nome do médico para garantir de nunca marcar uma consulta com ele! Depois, fiquei sabendo que não era bem assim. Ela tem um problema de família que as pessoas morrem do coração. Morrem cedo. Na casa dos 60. Ela, por isso, decidiu com 50 (mesmo com os exames ótimos) não comer mais nada e malhar muitoooooo. Só que fica infeliz.


Buda, que era “o cara” da época dele,  já dizia sobre o caminho do meio que leva à libertação...
Nossa Senhora das Academias, nos livre da avareza alimentar! Um tantinho de vinho, uma provinha de salame Serrano, uma azeitona de vez em quando, um chop bem gelado e até um radicci com bacon (tem verde, não me condenem!) não vai adiantar ou postergar a morte. E também, o que adianta viver mais, sem viver?




Daqui um pouco, vão querer malhar na funerária. Num anexo, quem sabe...

3 comentários:

  1. Também penso como tu, viver com qualidade é o que importa. Veja o meu caso, nao fumo, nao bebo, só como coisas saudáveis, muitas frutas e verduras, porém ADORO UM DOCE. Nao tenho colesterol, nenhuma dor, e só tomo suplementos, porém como tenho, 69, fico sempre no controle do diabetes. Uma vez ao mês verifico a glicose, e ingiro mais aveia, óleo de linhaça, e outros suplementos para garantir os meus 95 no aparelhinho e no laboratório. Na minha idade a gente perde ou perdeu muita coisa, porém eu quero garantir que sempre poderei saborear um quindim ou uma ambrosia, pois se nao qual a graça de viver tanto? Ah! Eu eu nao esquento a cabeça com a minha barriguinha ( ou ona dependendendo da ótica) , pois na funcional estou muito bem. Abraço querida e cada vez gosto mais de teus textos.

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    1. Marly, tô contigo. Nenhum ano a mais vale se não for para valer a pena.

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  2. Beverly, amooooooo seus comentários. Minha vida fica muito mais divertida quando leio seus comentários. Esses dias fiz um teste para saber qual a minha expectativa de vida e disse que eu vou viver 77,5 anos. A expectativa média da mulher brasileira é 78. Ou seja estou na média mas não é muito não.
    Eu faço natação duas vezes por dia e é o único exercício que eu me permito fazer.
    Como de tudo, porque se me privar das coisas não vale a pena.
    E quer saber para que adianta ganhar anos de vida se não é para comer bem?

    Beijos e parabéns

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